BES Run Challenge – Lisboa

A minha primeira corrida de 10km foi feita com muitíssimo esforço, com um pé lesionado e uma franca falta de treino. Foi por isso que soube especialmente bem chegar ao fim depois de 1h14m43s e receber esta medalha, a terceira da minha colecção. 🙂
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E vocês? Que têm feito? Muito treino?
VAMOS LÁ!!!

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Dicas de Domingo, 5ª edição

A corrida não é um desporto de equipa e não exige companhia, mas por vezes é praticada em pequenos ou grandes grupos.

Se por um lado é libertador ir correr sozinha, às horas que se quer, ao ritmo que se quer e pelo percurso que se quer, por outro também é muito agradável ter companhia, ir descontraidamente a conversar ou mais competitivamente a tentar acelerar o ritmo.

Pessoalmente adoro o facto de a corrida ser algo que posso fazer sozinha, sem ter de depender dos horários, gostos e vontades de outras pessoas. Chamem-me anti-social, mas as corridas são uma excelente oportunidade para estar comigo mesma e pôr os pensamentos em ordem. Geralmente durante as corridas resolvo problemas, tomo resoluções e ganho motivação para outros aspectos da minha vida!

Mas de vez em quando sou desafiada, ou desafio eu, amigos ou a minha irmã para uma corrida em grupo. E estas corridas são deliciosas! É uma forma de estar com os amigos alternativa à tradição de nos encontrarmos sempre à volta duma mesa a comer, e é um tempo “produtivo” para todos. Por outro lado, a descontracção e espírito de solidariedade não podiam ser maiores, e pode até instalar-se um ambiente propício a desabafos e confissões, mas o ideal é manter o tom sempre positivo!

Mas onde está a parte das Dicas propriamente ditas aqui? Bom, o que vos lanço esta semana é o desafio de fazerem pelo menos um treino acompanhados, tendo em conta as seguintes vantagens:

  • depois de se combinar com outra pessoa é mais difícil a preguiça vencer e acabarmos por não ir treinar;
  • pode deixar-se o leitor de MP3 e os phones em casa e ir mais liberto;
  • é uma excelente oportunidade para rever amigos que não se vê há algum tempo;
  • se forem num passo descontraído a conversa flui (quando têm oportunidade de estar na conversa uma hora seguida sem interrupções?);
  • se a conversa fluir, o tempo passa sem darem por isso e correm sem grande esforço;
  • com o ambiente mais competitivo são levados a esticar um pouco o vosso ritmo/distância habitual, o que contribui para um treino de resistência muito produtivo;
  • correr sozinho pode levar a um aumento de hormonas do stress, enquanto que correndo acompanhado se está imune… ou pelo menos é o que este estudo conclui!

[Edit] Editado para agradecer ao Pedro Ganço a ideia do tema para as Dicas desta semana! 🙂

Nascemos para correr?

Olá a todos!

Enquanto procurava artigos sobre o calçado minimalista, descobri que desde o lançamento do best-seller “Born to run: hidden tribe superathletes and the greatest race the world has never seen” de Christopher McDougall, este calçado entrou na moda. Viram bem o nome do livro? Chamou-vos a atenção? A mim chamou, e muito! Eis um pouco do que descobri sobre este povo.

Nas montanhas de Copper Canyon no México vive uma tribo que escapou à invasão espanhola durante o séc. XVI. Eles sobrevivem cultivando a terra, criam cabritos e ovelhas e vivem nos abrigos que a mãe natureza lhes proporciona. São conhecidos por Tarahumara ou Rarámuri, aqueles que correm e fazem jus ao nome correndo 12 maratonas em 2 dias!! E não o fazem em estradas com pouca inclinação, mas sim em descidas e subidas pela montanha.

Como é possível?? Parece ser um mistério, mas há algumas pistas neste video. Nele também são explicados alguns costumes dos Rarámuri que não resisti a investigar.

Olhei de relance algumas páginas disponíveis na Amazon do livro “Born to Run” e fiquei impressionado com o estilo de vida desta tribo. Não têm dinheiro, toda a economia é baseada em trocas de bens e quando estes faltam, partilham. Quando recebem “kórima” (caridade) não agradecem, mas ficam moralmente obrigados a distribuir o que têm pelos outros. São descritos por historiadores como os homens que caçam veados com as próprias mãos, com uma força extraordinária e capacidade atlética extrema. Como marca profunda das suas crenças Christopher McDougall descreve uma sinceridade tão antiga e ancestral que os cérebros destas pessoas passaram a ser incapazes de formar mentiras.

Além de parecerem os mais generosos e felizes, ainda são os mais duros, resistentes natos à dor e ao cansaço. Antes de uma prova tão louca que envolve correr 12 maratonas é de esperar uma alimentação rica e muito descanso. Mas não. Antes de cada prova fazem uma grande festa noite dentro em que bebem tequilla fervida em pele de cascavel, cerveja de milho e vêem mulheres entrar em duelos numa espécie de wrestling em que arrancam o top da adversária enquanto são espicaçadas por um velhote com uma espiga de milho. Depois adormecem de tanto beber, acordam e largam-se a correr, só parando 2 dias depois.

Podem ver aqui um artigo da National Geographic sobre este povo, com uma visão menos romancista que o livro, em que se explica como é incerta a sobrevivência deste modo de vida à modernidade.

Deixo-vos por fim um video TED do escritor do livro, aí podem perceber as motivações que o levaram a investigar os Rarámuri e uma hipótese para a pergunta do titulo do post.

Malta, vou abrir uma loja de sapatilhas Tarahumara! Podem escolher entre 3 marcas: Michelin, Goodyear e Continental. Gostava mesmo de experimentar umas destas.