Chovendo e correndo

Alô pessoal!

Setembro e Outubro sempre foram ricos em corridas! Prova disso está aqui. O único problema é a chuva… as minhas primeiras voltas de corta mato foram à chuva e, acreditem, que era lama até aos joelhos xD Apesar da lama e do maior esforço, correr à chuva sabe-me muito bem. Nestes dias em que ainda faz calor e estamos a correr a todo o gás, a chuva parece abençoada. Arrefece-me e relaxa-me. É um elemento incontrolável, imprevisível e talvez por isso me sinta impelido a continuar. Como um miúdo que olha para cima e diz “Ai é? Não queres que eu continue? Agora é que eu não paro mesmo!”.

Nesses dias as sapatilhas ficam à porta de casa. Molhadas e lamacentas, talvez demorem tanto quanto eu a recuperar, caso me constipe! Mesmo assim entre ficar semanas sem treinar e apanhar uma constipaçãozita, escolho sempre ir treinar!

E por aí? Há mais alguém que goste de correr à chuva?

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O plano de treinos do Rocky Balboa – Parte II

Olá malta!

Na sequela deste post, continua o plano de treinos. Tenho a certeza que nem o Rocky na sua melhor forma nos apanha daqui a 15 dias!

Já falei de equipamento e aquecimento inicial, agora passamos à corrida e alongamentos.

Corrida

Em esforço pleno devemos procurar o nosso próprio ritmo. O essencial a ter em conta é que o esforço que fazemos hoje deve ter em conta o de amanhã e o do dia seguinte. Não vale a pena forçar um joelho dorido ou um andamento rápido hoje se amanhã ou depois já não podemos treinar ao mesmo ritmo. Por outro lado, se ao fim de 40 min estamos prontos para outros 40, também não é esse o nosso ritmo.

Treinar resistência exige chegar a um ponto de equilíbrio que nos permita treinar muitas vezes por semana a um ritmo constante. No entanto, se queremos melhorar a nossa condição física, o ritmo tem de mudar de tempos a tempos. Para aguentar longas distâncias precisamos de subir lentamente os nossos objectivos.

É frequente aparecerem dias de sprint nos planos de treino, de 4×100 m ou mais. Esses treinos servem para ganhar força e alargar a passada. Vários amigos meus só baixaram os tempos nas longas distâncias depois de fazerem séries de 100m uma ou duas vezes por semana. A verdade é que ficamos demasiado confortáveis num certo patamar, e para subir precisamos destes treinos de velocidade.

Como somos o nosso próprio treinador, cabe-nos a nós subir de ritmo consoante a nossa auto-avaliação pessoal. O que tenho feito ultimamente é marcar um percurso e um tempo para o fazer, e quando me sinto confortável nesse treino aumento a distancia a percorrer. Quando sinto que já aguento bem fazer essa distância, faço sprints para baixar o tempo que levo. Depois aumento a distância novamente e assim sucessivamente.

Nunca segui um plano de treino para a meia maratona, mas nos que vi todos concordam que é preciso mais tempo de treino nos últimos 15 dias antes da prova, por isso, bora lá malta!

Durante estes meses de preparação já cheguei aos 12 km em 1h15. Espero conseguir fazer 15 km na boa nos próximos 15 dias 😉

Alongamentos

Se têm dores musculares ou estão doridos da corrida do dia anterior, isso significa que o treino foi muito intenso ou então alongaram pouco. No final da corrida andar uns 500 m e passar 10 min a alongar é certinho para mim. A receita para os alongamentos é esticar até doer e contar até 20, já dizia o meu prof de educação física.

Qual é o vosso plano para os dias que faltam??

Ps. Nunca se sabe se vai sair outro artigo do Rocky, esta rubrica é como os filmes! Quando pensamos que já não dá para mais, o velhote Stallone aparece cheio de pica para mais um filme 😛 Talvez eu, não tão velhote como ele, espero, ainda escreva outro!

 

Nascemos para correr?

Olá a todos!

Enquanto procurava artigos sobre o calçado minimalista, descobri que desde o lançamento do best-seller “Born to run: hidden tribe superathletes and the greatest race the world has never seen” de Christopher McDougall, este calçado entrou na moda. Viram bem o nome do livro? Chamou-vos a atenção? A mim chamou, e muito! Eis um pouco do que descobri sobre este povo.

Nas montanhas de Copper Canyon no México vive uma tribo que escapou à invasão espanhola durante o séc. XVI. Eles sobrevivem cultivando a terra, criam cabritos e ovelhas e vivem nos abrigos que a mãe natureza lhes proporciona. São conhecidos por Tarahumara ou Rarámuri, aqueles que correm e fazem jus ao nome correndo 12 maratonas em 2 dias!! E não o fazem em estradas com pouca inclinação, mas sim em descidas e subidas pela montanha.

Como é possível?? Parece ser um mistério, mas há algumas pistas neste video. Nele também são explicados alguns costumes dos Rarámuri que não resisti a investigar.

Olhei de relance algumas páginas disponíveis na Amazon do livro “Born to Run” e fiquei impressionado com o estilo de vida desta tribo. Não têm dinheiro, toda a economia é baseada em trocas de bens e quando estes faltam, partilham. Quando recebem “kórima” (caridade) não agradecem, mas ficam moralmente obrigados a distribuir o que têm pelos outros. São descritos por historiadores como os homens que caçam veados com as próprias mãos, com uma força extraordinária e capacidade atlética extrema. Como marca profunda das suas crenças Christopher McDougall descreve uma sinceridade tão antiga e ancestral que os cérebros destas pessoas passaram a ser incapazes de formar mentiras.

Além de parecerem os mais generosos e felizes, ainda são os mais duros, resistentes natos à dor e ao cansaço. Antes de uma prova tão louca que envolve correr 12 maratonas é de esperar uma alimentação rica e muito descanso. Mas não. Antes de cada prova fazem uma grande festa noite dentro em que bebem tequilla fervida em pele de cascavel, cerveja de milho e vêem mulheres entrar em duelos numa espécie de wrestling em que arrancam o top da adversária enquanto são espicaçadas por um velhote com uma espiga de milho. Depois adormecem de tanto beber, acordam e largam-se a correr, só parando 2 dias depois.

Podem ver aqui um artigo da National Geographic sobre este povo, com uma visão menos romancista que o livro, em que se explica como é incerta a sobrevivência deste modo de vida à modernidade.

Deixo-vos por fim um video TED do escritor do livro, aí podem perceber as motivações que o levaram a investigar os Rarámuri e uma hipótese para a pergunta do titulo do post.

Malta, vou abrir uma loja de sapatilhas Tarahumara! Podem escolher entre 3 marcas: Michelin, Goodyear e Continental. Gostava mesmo de experimentar umas destas.

O plano de treinos do Rocky Balboa – Parte I

Agora que já vos chamei a atenção com este titulo, tenho de vos dizer que esse plano do Rocky é para meninos! (atenção que a música mais famosa do filme é um óptimo tónico para levar na playlist durante uma corridinha!) Como é óbvio, o meu plano de treino é muito mais severo e exigente, não fosse o nosso objectivo acabar a meia maratona.

Para que não aconteça com nenhum de vocês o que aconteceu ao Tony, deixo aqui o que aprendi ao longo dos anos de treino. Nesta parte apenas equipamento e aquecimento.

Equipamento

Há muito equipamento que torna a vida de um corredor bem mais confortável, mas o essencial são as sapatilhas! Se para corrermos 15 min ou 20 podemos usar umas sapatilhas de desporto comuns, para correr durante muito tempo sem interrupções precisamos de algo bem mais adequado. Ao longo dos anos as sapatilhas apropriadas foram descendo muito de preço, e agora tenho 2 pares de sapatilhas óptimas e ambas por volta dos 30 € (Em promoção, antes custavam 50. Perto das maratonas há sempre promoções, aquelas com que treino agora comprei na véspera da última meia-maratona). A característica essencial é o amortecimento. Um preço mais elevado apenas significa durabilidade/aumento desse amortecimento, arejamento mais eficaz e leveza da sapatilha ( digo “apenas” mas se tivesse 100 € para gastar assim à maluca ia logo comprar umas sapatilhas assim xD).

Aquecimento

Passo a maior parte do tempo sentado sem forçar qualquer ligamento/músculo. Assim, sair desta situação de conforto exige um gradual aumento de esforço. Convém fazer um aquecimento localizado nas áreas de maior desgaste e nas zonas de lesões antigas. É boa prática “testar” estas zonas para comprovar que estão prontas para mais 1h de corrida. É muito provável que dores antigas se manifestem nas alturas de maior esforço, quando menos precisamos delas. Ombros, joelhos, tornozelos e coluna, são as partes a que presto mais atenção. Até sentir essas zonas desentorpecidas e literalmente “quentes” continuo os exercícios. Demoro 5 min nisto, o resto do corpo é na corrida!

Incluo na parte do aquecimento os primeiros 5-10 min de corrida. Levo um ritmo bem baixo no inicio. Se algo estiver errado com o ombro ou o joelho (as minhas lesões permanentes) levo uma corrida lenta, descontraída e curta. Se estiver bem agarro um ritmo confortável apenas depois desses 10 min.

Convém ainda levar um ritmo baixo se estamos ainda “frios” e precisamos de fazer um grande esforço de subida ou descida. É muito frequente ficar com lesões nos tornozelos se não tivermos cuidado nesta parte do treino (acho que foi o que te aconteceu Filipa).

E vocês? Como começam o treino? Usam algum equipamento extra que vos ajuda imenso a treinar?

 

 

O Inicio de um Ex, Semi, Quase Atleta

Noticias! Secção de Desporto. Marco Seabra do 7ºB vence corta-mato de infantis da E.B.I. Fernando Casimiro.

Começa assim o artigo do jornal da escola. Se na altura me fizessem uma entrevista, eis as perguntas que gostava que me fizessem e as respostas que gostaria de ter dado:

Q: Bom dia Marco! Desde já os meus parabéns pela vitória na prova. Como foram os treinos até este dia?
R: Bem, hmm, não tive treinos. O que eu gosto mesmo é de andar de bicicleta. Vou com os meus amigos dar um passeio todos os dias pela serra. Correr só quando jogo futebol.

Q: Então jogas futebol? Vejo que o teu irmão também ganhou no escalão dos iniciados. Jogam juntos?
R: Sim, jogamos muitas vezes juntos com os vizinhos. Quando contei ao meu pai que ambos ganhámos ele disse-me que era genético, que ele também correu no seu tempo e ganhou algumas provas. Mostrou ainda uma taça bem velha lá na garagem em que ainda se lê “1º lugar” a provar isso.

Q: Ah então o teu pai deve estar orgulhoso. E os teus amigos como reagiram à tua vitória?
R: Foram buscar-me à linha da meta, fizeram uma festa enorme e atiraram-me ao ar! Muitos perguntaram se eu treinava muito porque, para alguém tão pequeno, eu corria muito rápido.

É difícil explicar porque gosto tanto de correr. Na tentativa, fui buscar ao baú de recordações como comecei, numa prova de corta-mato só para me baldar ás aulas! Nas provas que se seguiram, esta primeira vitória foi muito importante porque lembrava-me do bom que era acabar a vencer! Mesmo que não ficasse em 1º, melhorar o meu tempo já era uma grande vitória e treinar tornou-se um desafio constante a que eu não podia resistir.

É à procura da sensação dessa primeira glória que eu vou treinar e participar na meia maratona. Só terminar a prova já me fará sentir nas nuvens. Era fixe que vocês me atirassem ao ar no fim mas reconheço que já estou demasiado pesado para isso, mas ainda baixinho!
Qual a vossa motivação?